14/08/2011

Múmias descobertas em igreja

Um mistério imerso na bruma do tempo intriga moradores de Itacambira, cidade a 450 km de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. Na década de 1950, o rompimento do piso de madeira de uma igreja centenária, no coração da cidade, revelou a existência de um porão onde foi encontrada mais de uma centena de corpos mumificados de homens, mulheres e crianças. Cuidadosamente arrumados em pilhas, eles não foram decompostos por completo. Todos tinham parte da pele e fios de cabelo preservados, além de restos de roupas. Ninguém na cidade, nem os moradores mais velhos, sabia, ou ouvira de antepassados, uma explicação para o estranho achado. Até hoje, o enigma permanece sem resposta. Durante anos, historiadores, pesquisadores, estudantes e habitantes da própria cidade e de regiões vizinhas "investigaram" tanto as múmias, que acabaram por danificar as peças. O que sobrou continua sob o assoalho da igreja, mas como um amontoado de ossos humanos soltos, incluindo mais de cem crânios. paleoantropólogo e espeleólogo Leonardo Campos, que acompanhou os trabalhos da instituição fluminense e também estudou as múmias de Itacambira, os corpos seriam de garimpeiros. - Alguns crânios chegavam a apresentar, em marcas induvidosas, sinais de cortes e fraturas provocados por picaretas e outros instrumentos, por ocasião dos trabalhos de remoção. Campos explica que era costume enterrar mortos em frente ou ao lado da igreja principal. Ele lembra que Itacambira foi palco da chamada “Guerra dos Papudos” – combate entre bandeirantes à cata de ouro, diamantes e outras pedras preciosas. O paleoantropólogo acredita que os corpos dos derrotados no conflito foram os primeiros "hóspedes" da igreja, a partir do ano de 1700. O lugar teria sido usado, por um determinado período do século XVIII, como cemitério da cidade.

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