21/07/2010

É possível

Guardar um ou dois reais por mês pode parecer pouco. Mas a pequena quantia representou para 600 famílias a diferença entre morar em barracos de uma favela e habitar apartamentos de dois dormitórios. Por trás da mudança está o fortalecimento de uma comunidade – que aprendeu com o auxílio de uma ONG a se organizar politicamente. Em 2005, Alex ouviu sua vizinha, a dona de casa Jailza Sobraes da Silva, falar de uma ONG que ajudaria a comunidade a se organizar para fazer cobranças ao Poder Público. Sob olhares desconfiados, em uma reunião que, segundo Jailza, aconteceu “bem no meio da rua”, foi explicada a proposta dos membros da Rede Interação, ligada ao grupo internacional Slum/Shack Dwellers International (SDI), que no Brasil atua em Várzea Grande Paulista, Taboão, Sorocaba, Santos, Recife e Olinda. Hoje, as obras quase finalizadas ocupam o lugar da favela – e a poupança é fundamental para as famílias. As moradias serão entregues sem acabamento, e cada um terá de arcar com esses gastos, além de despesas até então inéditas, como contas de luz, água e as prestações dos imóveis. “Vemos muitos conjuntos habitacionais deteriorados, porque, sem manutenção, a coisa vira uma favela vertical”, afirma Alex. Ao mostrar o local onde em breve irá morar, ele se lembra de quando chegou à região. “Eu achava que, para conseguir moradias como essas, o presidente teria de passar de avião, olhar pela janela e falar ‘vou urbanizar bem ali’. Agora, eu sei que não é assim.”

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